Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.

domingo, 26 de março de 2017

Formação

Sábado, dia de formação... mas... apresentação de trabalhos significa modelos de borla!!!

São Quintino I


Foi numa tarde de fim-de-semana que saímos de Lisboa. Há muitas pérolas escondidas, algumas até bem perto, e foi por isso que nos aventurámos por Sobral de Monte Agraço.


Fazendo um pequeno desvio, chega-se a esta bonita igreja, que dizem ser uma pérola do manuelino.


É de facto diferente das outras que conheço, porque as gárgulas e o remate da capela-mor lembram Notre Dame e o seu corcunda: a igreja parece uma pequena catedral.


Mas o portal fala por si. Está repleto de figuras alegóricas, que convidam a entrar. São seres alados que se repetem, segurando os cestos da abundância. Há frutas, folhas, flores a abrir e até aves nesta "entrada do paraíso".


À volta, a serenidade domina. Pouco parece ter mudado nos 500 anos da igreja, não fossem as torres eólicas.

Hector Zamora no MAAT

Hector Zamora, artista mexicano a viver em Lisboa, pensou na galeria Oval do MAAT como uma arena onde se faziam batalhas navais, violentas e mortais, para os romanos se divertirem. Aí colocou 7 barcos de pesca e 30 operários, alguns imigrantes e desempregados, destruíram-nos durante duas horas. Metáfora do fim da pesca tradicional portuguesa, com as regras europeias, e também da tragédia actual das mortes no mediterrâneo. O som era poderoso e ver os operários trabalharem e os barcos a serem destruídos incómodo.

E como registar isto? Com muitos desenhos. Em baixo dois dos desenhos que fiz. Os desenhos feitos no sítio são, muitas das vezes, mais intensos que o desenho final publicado no jornal.



As 4 Maravilhas da mesa da Mealhada

O programa da semana do Leitão à Mesa na Mealhada, está recheado de atividades para disfrutar as 4 maravilhas: água, pão, vinho e leitão! A chuva deu-nos a volta à rota prevista para a atividade "Maravilhas na ponta do lápis" mas não foi por isso que não deixámos de provar cada uma delas. Acabamos a tarde num sítio fantástico para desenhar, as caves dos vinhos Messias. Um dia bem passado na Mealhada com a Livingplace  que felizmente faz sempre por incluir uma atividade ligada ao urban sketching nestes eventos :)
Mais desenhos em http://suzananobredesenhos.blogspot.pt/2017/03/as-4-maravilhas-da-mealhada.html

Caves do Vinhos Messias. Que sítio fantástico para desenhar, adorei o ambiente!

Instituto do Vinho e da Vinha, uma zona industrial ligada ao vinho completamente abandonada, mas com um espólio de estruturas edificadas bem apetecíveis para desenhar.

Quartel de Infantaria 16





Ontem, em mais uma actividade do Campo Vivo em Campo de Ourique; fomos desenhar o Quartel de Infantaria 16. Apesar do frio, do vento e da chuva, ninguém desistiu.

O Quartel

De meados do séc XVIII  altura em que o Conde de Lipe é chamado por Sebastião José de Carvalho e Melo.

DESENHAR O QUARTEL DE CAMPO DE OURIQUE (Lisboa)



Data: 25 Mar17ás10h  - Encontro no Coreto do Jardim da Parada
 
Com a pintora Rosário Félix. que organizou a atividade de hoje, a quem agradeço a disponibilidade levando-nos aos locais pouco conhecidos do seu  bairro com ascendência histórica interessante.

Uma manhã bem passada, tempo ameno ,sem chuva. e na companhia de alguns residentes da zona.

No final, uma simpática lembrança para  compensar "o esforço".

Fig. 1. UMA HABITAÇÃO DO QUARTEL DO CAMPO DE OURIQUE 
                                                Fig.. 2. O ESPAÇO DO QUARTEL DO CAMPO DE OURIQUE 
 
 
                        Fig. 3.UMA FLOR DISTRIBUÍDA A CADA UMA DAS PRESENTES.

sábado, 25 de março de 2017

Novo Alfa Pendular

Apanhei a primeira viagem do novo Alfa Pendular.
Dantes seria chamada a Mayden Voyage.

Panquecas

Hoje fui o primeiro a acordar. Fui até à cozinha e decidi fazer panquecas. As meninas estão sempre a pedir. Como estava com tempo, sentei-me na mesa da cozinha a desenhar os ingredientes. É muito bom começar assim o dia de forma serena a desenhar bem devagar.
A pilha de panquecas foi crescendo. O último desenho, a pilha de panquecas, foi mais rápido pois as meninas, que entretanto acordaram estavam ansiosas pelo pequeno almoço. O acompanhamento foi como sempre chocolate e mel. Faltou a canela.

#41 Manteigaria Silva




Desafio grato... e ingrato!
Tenho pena de não passar os 'cheiros' para o papel...
-José Leal

Cães vadios

A saida dum restaurante estes cães pousaram para mim na esperança que eu lhes desse comida. Eram divertidos e pacientes.
Leonor Janeiro

#51 - Tabacaria Martins (Lojas Tradicionais de Lisboa)

É o meu primeiro contributo para a iniciativa "Lojas Tradicionais de Lisboa" e quis começar pela Tabacaria Martins, um cantinho recolhido no Largo do Calhariz, com uma única porta aberta para a rua mas com um interior delicioso todo forrado a madeira.
Fiz questão de começar por aqui porque me encontro envolvido no projecto de reabilitação do edifício do Palácio Sandomil, de que a tabacaria faz parte (AQUI).

Fundada em 1872 continua dentro da mesma família Martins há 3 gerações, sendo agora gerida por Ana Martins.
Apesar dos seus 145 anos continua cheia de vida, de clientes e movimento, e soube acompanhar os tempos: é um dos 2 locais onde se vendem os bilhetes da Galeria "Zé dos Bois", um dos focos da vanguarda artística em Lisboa!
(cliquem na imagem para a ampliar)

Ponte D Luís

Estava frio. Muito frio. E começou a chover. Não deu para mais.

Marrocos VI


Estou agora numa estalagem absolutamente cênica, irocha, na aldeia de tisselday. Chegamos de noite, depois de ter visto chover a cântaros nos castelos de barro de Ait Benhadou. Tivemos de nos refugiar num café onde, entre chás de menta, conhecemos um escultor suíço que também desenhava o seu diário gráfico.

Todo o dia de hoje, tal como os outros dias, tem sido marcado por pessoas tão inesperadas como interessantes. É realmente notável. O estalajadeiro do Kasbah acompanhou os nossos carros na sua mota até à loja de aldeia onde compramos os lenços azuis dos tuaregues.

Depois fomos à aldeia berbere de Sidi Flah, 8 desoladores Kms de terra batida no meio do deserto para chegar a um oásis florido, um rio caudaloso e uma aldeia de uma riqueza cénica que nunca antes vi.

***


Este país é seguro, está a modernizar-se rapidamente, e há uma grande vontade de trabalhar. Em estradas, por exemplo, e em sinalização, já da lições a Portugal. E no resto há de melhorar, espero.
Mas a maior surpresa são as pessoas, que seja numa casa de aldeia, seja num hotel de charme, levam a arte de bem receber ao impensável.

No fim do dia, há uma ideia que me domina: na cultura islâmica, uma cultura forte e rica, há imensas contradições. Mas uma coisa é certa: nada justifica o preconceito que o mundo ocidental faz em relação ao mundo islâmico. Parece-me igualmente ignóbil o desprezo que alguns locais parecem fazer sobre o ocidente.

Uma ideia permanece: há de facto uma cultura mediterrânica, não numa, mas nas duas margens. E temos um imenso legado em comum. É urgente unir esforços para o defender.

***

Acaba assim a série de Marrocos. Peço desculpa se massei alguns amigos Sketchers com estes posts longos. Prometo ser breve daqui em diante.

Amigos do Banzão

Ontem eu e um grupo de amigos, incluindo a Fefa fomos visitar o museu Roque Gameiro e a exposição dos USk a Minde. Este exercicio foi feito no fim do almoço, durante a sobremesa. Desenhar pessoas  de cada lado da mesa em 10 minutos, nãofoi fácil. Gostei da experiencia! Falto eu.
Leonor Janeiro

sexta-feira, 24 de março de 2017

Performance-instalação "Ordem e Progresso" de Héctor Zamora no MAAT, 22 de Março de 2017



Registo rápido (com cor adicionada posteriormente) da performance-instalação de Héctor Zamora no MAAT no âmbito do BOCA - Lisboa 2017


Marrocos V


Depois de uma viagem interminável e, ao mesmo tempo, incrivelmente sombreada e agradável, chegamos ao Kasbah ao por do sol. Tudo isto é tão cênico, tão diferente, tão Nilo encantado, que teimo a não acreditar nos sentidos.

O kasbah onde estamos alojados é verdadeiramente fantástico! O interior é austero, mas lá fora há um jardim com hortas de menta para o chá, palmeiras carregadas de tâmaras e uma vista sobre todo o palmeiral, fora do qual o olhar só consegue abarcar uma tira longínqua de terra nua e outra tira da neve que acaba de cair.

Nesse jardim há uma piscina, há pérgolas e fontes.
E o senhor, tendo o resto do Kasbah vazio só para nos, é de uma simpatia que raramente se usa no ocidente. Serviu chá de menta e tâmaras à chegada, falou em levar-nos amanhã a uma aldeia só de berberes e longe do resto do mundo. Mostrou-nos ainda uma reportagem num blogue de brasileiros, de nome viver a viagem, com esse mesmo percurso, quando aqui estiveram hospedados.

De noite pouco se vê. Mas também não é preciso, já que a via láctea, manchada e mais exuberante que nunca, parece emanar uma luz própria que só a silhueta das palmeiras parece travar. Amanhã saio com o meu pai para jogging junto ao oued, o rio seco que da margem aos palmares. Como choveu há pouco há muitos pequenos lagos e aqui e ali aparecem ruínas de formas ousadas em terra, que um dia, sabe-se lá, terão sido Kasbah como estes ou simples celeiros fortificados.

Dar Essalam é o nome do albergue. Aqui só se chega em terra batida e os únicos sons vem de cães longínquos e do omnipresente chamar desfasado dos minaretes que imaginamos estar escondidas na vegetação.


Desenho em "Minderico" no Museu Roque Gameiro

Este meu primeiro contacto com a língua "Minderica" foi realmente uma graça. Palavras portuguesas que aparecem com outros significados como num código... 
Roque Gameiro, o mestre "Migança", foi motivo de conversas e desenhos. A sua obra em aguarela (borra regatinhada), é fabulosa e que coisa gira se deu, com a exposição dos desenhos dos Urbasketchers a partir dos desenhos de Roque Gameiro... pena tenho de não ter participado nesse desafio, mas, pela sede é que vamos... Obrigada pelo que nos proporcionaram.

Estes foram os meus desenhos do dia:




Minde (de tarde)

O almoço foi cheio de conversa e da habitual riscalhada (que não partilho porque ficou na toalha de papel), e renovou o alento para uma tarde com mais alguns desenhos.
Como de manhã tinha ficado pelo museu, de tarde quis ir visitar o atelier de tecelagem onde se fazem as mantas de Minde e onde ainda podemos encontrar um tear já com mais de 40 anos. A máquina de costura é que não é daquelas mesmo antigas apesar de ter o pedal debaixo da mesa, mas de qualquer forma achei que poderia encaixar bem no meio da roda e da dobadoura.


Depois da visita ao atelier regressámos ao museu, mas eu estava cheio de vontade de dar uma espreitadela pelas ruas da zona velha e optei por não voltar a entrar. Em vez disso segui o muro e umas ruas até chegar a uma zona sem saída que desembocava numa área rural. Como já ando com saudades de desenhar no campo não precisei de pensar muito para começar a desenhar... e no fundo a paisagem também faz parte de Minde.


O tempo começava a apertar e pus-me de regresso ao museu para a partilha final, mas ainda tive tempo para parar junto ao muro dos jardins para mais um desenho e voltar a incluir (muito disfarçadamente) o torreão do museu. Enquanto desenhava podia ouvir o grupo coral que cantava nos jardins do museu.


Já de novo dentro do jardim do museu Roque Gameiro, enquanto o grupo coral fazia uns encores encaixei mais um desenho no caderno pequeno.
Antes do regresso a casa houve ainda tempo para a partilha e as habituais fotos de grupo que já andam aí a rondar pelas redes sociais.

Marrocos IV




Devo dizer que, em Essaouira senti-me em casa. Vi uma mistura de Europa a acontecer, a vila parecida com Peniche mas com crepes de Nutella nas pastelarias e lavagante delicioso nas tascas de um peixe tão fresco, tão fresco, que por vezes abastece os mercados do nosso país.

Devo dizer que fiquei deslumbrado com aquela vila costeira. Tem um urbanismo irrepreensível, tanto mais que os hotéis de charme acabam abruptamente nas dunas, sem lhes tocar. 

Além da surpresa que tive na vila, adorei o percurso até lá. A estrada é longa, é certo, e a saída de Marrakech exige pelo menos um terceiro olho, mas a paisagem é incrivelmente variada e bela.



À saída de Marrakech, existe uma sucessão de hotéis de luxo tão faraónicos como modernos, avenidas ostensivamente ajardinadas e equipamentos públicos de uma imponência nunca antes vista por mim. Basta ver o cruzamento entre o teatro real e a estação de comboios, rodeado pelos mais recentes e esmagadores edifícios. E tudo o resto, o traçado das avenidas que celebra o alinhamento dos minaretes, as barreiras de vegetação e as faixas de de transportes públicos, demonstra um enorme respeito pelo património e pelo ambiente.

No fim vem o campo, numa passagem abrupta e sem transição. Onde não há rega não cresce a vegetal, só há poeira. Mas os pomares irrigados e os olivais seguem-se por quilómetros sem fim de terra plana e arável.